Onde buscar ajuda
Se algo que você leu aqui sobre feederismo mexeu com alguma coisa difícil — ou se a sua situação deixou de parecer saudável — os contatos abaixo são reais, gratuitos e anônimos. Você não precisa falar sobre o fetiche para receber ajuda. Pode falar sobre o que está acontecendo: o medo, a pressão, a comida, a solidão.
Você não precisa passar por isso sozinho(a). E não precisa ter um motivo “grave o suficiente” para ligar — não é você quem tem que decidir se é grave o bastante.
Se você está em perigo imediato
Ligue para 190 (Polícia Militar) ou 192 (SAMU). São números de emergência gratuitos, 24 horas, em todo o Brasil. Ligue quando alguém estiver ferido, tiver desmaiado, ou quando você temer pela sua vida ou pela vida de quem está ao seu lado.
Se alguém te pressiona, controla ou machuca
Empurrar você a engordar até um peso que você não escolhe. Comida colocada no seu prato sem o seu conhecimento. Punição — com silêncio, cobrança, ameaça de ir embora — por dizer “não”. Controle do seu dinheiro, do seu celular ou de com quem você se encontra. Isso são formas de coerção, e elas contam, mesmo que ninguém tenha batido em ninguém. O consentimento não é uma vez só: pode ser retirado a qualquer momento, sem justificativa e sem negociação.
Gratuito, 24 horas, em todo o Brasil, para mulheres em situação de violência — e para quem testemunha. Você pode perguntar pelo primeiro passo, pelos seus direitos e por como registrar uma denúncia. Pode ligar mesmo sem saber ainda se chama isso de violência.
Gratuito, 24 horas, para denúncias de violações de direitos humanos, para pessoas de qualquer gênero. Bom número quando a coerção não se encaixa só como “violência contra a mulher”. Também atende por outros canais — confira em gov.br.
Se a comida e o peso saíram do seu controle
Aqui você merece honestidade: no Brasil não existe uma linha telefônica exclusiva para transtornos alimentares. O caminho real passa pelo SUS e é mais curto do que parece — e há programas de referência que você pode usar como fonte de informação confiável.
Diga com todas as letras: a comida e o peso saíram do controle e você precisa de ajuda. Você não precisa falar sobre feederismo nem sobre o que acontece na intimidade — não é uma informação de que o serviço precisa para te encaminhar. Peça encaminhamento para psicólogo(a) ou nutricionista pelo SUS.
Uma pessoa adulta pode procurar um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) diretamente, sem encaminhamento, em dias úteis — costuma ser o caminho mais rápido para o cuidado em saúde mental. Psicólogo(a) e nutricionista pelo SUS geralmente pedem encaminhamento da UBS.
Os dois principais programas acadêmicos de transtornos alimentares do país. Use os sites deles como fonte de informação séria; para o atendimento em si, o caminho mais acessível costuma ser o do SUS, acima.
Se surgirem pensamentos de se machucar
Esses pensamentos não significam que há algo de errado com você. Significam que você está carregando mais do que dá para carregar sozinho(a). Você não precisa ter um plano, um diagnóstico ou uma história dramática para ligar — basta estar difícil.
Gratuito, anônimo, 24 horas. Você não precisa se identificar nem provar nada. Além do telefone 188, o CVV atende por chat e e-mail em cvv.org.br. Atende pessoas de qualquer idade.
Se o sofrimento é constante, um CAPS pode acompanhar você ao longo do tempo — uma pessoa adulta pode procurar diretamente, sem encaminhamento, em dias úteis. Em caso de emergência, o 192 (SAMU) atende 24 horas.
Se você procura um(a) profissional que não vá te envergonhar pelo kink
Vamos ser diretos: no Brasil não existe um catálogo de terapeutas “kink-friendly”. Não há um equivalente ao Kink Aware Professionals dos EUA — há profissionais que se descrevem assim, um a um. Em vez de uma lista que ficaria desatualizada em um ano, aqui vão as palavras pelas quais você reconhece o consultório certo.
É uma declaração de postura, não um título. Significa, mais ou menos: o trabalho começa pela pergunta “para que isso serve para você e como você se sente com isso” — e não por “como te curar disso”.
A sexologia clínica no Brasil inclui profissionais que trabalham com práticas não normativas. A SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana) reúne parte deles. O título sozinho não garante a postura, mas é um ponto de partida.
O(a) profissional já atendeu pessoas com práticas sexuais não normativas? Trata o fetiche como algo a entender, ou a eliminar? Dá para falar de comida e de peso com essa pessoa sem um contador de calorias em cima? As respostas você percebe mais pelo tom do que pelo conteúdo — e você tem todo o direito de, depois de uma conversa, procurar outra pessoa.
As palavras “perversão” ou “desvio” na boca do(a) profissional, e a promessa de “curar” o fetiche, são sinal para procurar outra pessoa. Cuidado também com “escolas” particulares e mentorias de BDSM anunciadas como educação — não é ajuda profissional, não passa por nenhuma fiscalização, e às vezes é exatamente a dinâmica contra a qual esta página alerta.
Pedir ajuda não é uma traição — nem do fetiche, nem da pessoa com quem você está, nem da comunidade. O apoio é para o que dói, nunca para o simples fato de você sentir interesse. E se for mais fácil mostrar do que contar, você pode abrir esta página na frente do(a) profissional e começar a conversa por aqui.
Levantamos estes contatos em julho de 2026. Serviços de apoio mudam horários e canais de tempos em tempos; se algo não bater, o CVV mantém informações atualizadas em cvv.org.br, e o diretório internacional findahelpline.com/pt-br lista linhas de apoio por país.